Visita ao Covento de Cristo

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Oito horas da manhã e sobe um gato à palmeira, mesmo Junto à camioneta que aguarda impaciente os buliçosos viajantes. Agitam-se os excursionistas enredados na vontade de partir ou de subir à altaneira palmeira para salvar o bicharoco.

Após muitas reflexões lá decidem partir rumo à descoberta e à aventura certa. Os rostos já se iluminam, os sorrisos são brilhantes, a alegria é que impera.

À chegada, apressados, já um pouco afogueados, pois o dia estava quente, subiram aquela rampa, entraram pela porta grande e chegaram aos jardins do covento de Tomar, de Cristo assim chamado. Que cheirinho vem de lá, desses famosos jardins por onde há já longos séculos passearam muitos frades e, também um certo Infante chamado D. Henrique.

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Vem a visita guiada, profusa de informação, relembram-se velhos tempos de vivências no convento, ums de glória, outros de muito pouco alento. Percorrem-se corredores, vê-se a famosa Janela do Capítulo chamada, há claustros de sossego, há quartos bem pequenos, grande salão para refeições, sem faltarem orações, passa-se pela cozinha, colocam-se muitas questões e, depois de esclarecidos, descemos pelo arvoredo, calcorreando as ruas quentes da cidade antiga, passamos pela judiaria, depois vamos junto ao rio onde os Templários em tempos se deleitaram. Cada um procura o seu mais dilecto espaço, o seu melhor bem-estar.

No regresso, já cansados, não falta ainda energia e concluímos a volta com as quadras da Isabel Maria.

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As quadras da Isabel Maria

Guiados pelo Senhor Miguel    Fomos visitar Tomar             Com energia a granel            Para muito caminhar

Viemos de lá encantados      Com as muitas maravilhas         Com cavalos baptizados             E umas potentes bilhas

Foi grande a nossa emoção Aprendemos uma coisa nova     É que há uma divisão            Que se chama alcaçova

Cidade dos Templários          Com as suas ruas bem cuidadas Mas provocando fadários          Com os saltos nas calçadas

Vimos uma linda charola           Com sua grande pujança           Cá em baixo o Zé da Bola        Com um boné verde esperança

As pastelarias recheadas           Com os seus doces de bolas      E as vendedoras desoladas        Pois já não têm as bolas           O locutor da  excursão             Envenena o pessoal                 Mas deixa a música pimba          Fazer cá um xavascal!

Canta que nem um tenor          Arrebita o seu bigode                Faz a malta ficar surda              Olha a sorte do pagode

A Zinha de corpo bem feito Não resiste à tentação     Entra na loja põe-se a geito Gosta tanto da excursão

Quando o calor apertou      E a coisa estava cizenta       O pessoal se refrescou        Na pia da água benta

A Maria Augusta no fina       Estava a ficar amarela           Pois pensava que o pessoal   Se tinha esquecido dela

Em frente do Tribunal          Sentados no banco dos réus  Descobrimos que afinal         Somos quase todos judeus

Estávamos todos no terreiro  Ohando para aqui e para ali   O Zé e o companheiro       tardavam a vir do xixi

A Cristina sai disparada          Não aguenta o calor         Vai lá para trás desesperada  Ai poupem-me por favor

Pé dorido não faz mal          Tudo se pode remediar       Basta água, vinagre e sal     Para ir à Feira Medieval

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Fotos: José Estiveira

Textos: Maria Carvalho