RENASCER
À beira de um rio de águas tranquilas, espelhadas
pelo luar inconfundível de Agosto, murmuriando afagos
que adoçam a minha solidão, sento-me numa pedra redonda, musgosa, suave, qual
ventre que me acolhe e me protege, casulo de mim, deixando ao pensamento o
recanto dilecto do meu reencontro.
Divago então pelas entranhas do mundo que se fecha,
deixando, apenas, o cordão que me liga à luz da lua reflectida na água onde a
minha imagem se apresenta trémula, buscando o caminho das águas, o desaguar no
mar imenso da minha libertação.
Uma sinfonia exuberante nasce do som do silêncio e
um violino dolente preenche os meus ouvidos, augurando a minha redenção. E a
noite aponta-me um caminho e a lua ilumina o meu percurso, e um pássaro de asas
brancas oferece-me a viagem da felicidade, do encontro comigo, da alegria de
saber, finalmente, quem sou. Apenas EU, único, inimitável, sem clono ou cópia.
Então parto à desfilada, na urgência do meu
renascimento.
Maria Carvalho
Junho 2009